08 agosto 2010

Mike, mike e mike.

Meu dia não foi muito bom. Primeiro porque meu dentista (ainda vou matar esse cidadão, escreva) colocou elásticos separadores entre meus dentes de trás pra me preparar pro aparelho. Até aí tudo bem, nada de ruim. Só que a merda desses elásticos fez com que meus dentes ficassem doloridos, e graças a isso não posso mais comer NADA. Minha alimentação nos últimos três dias tem se baseado em sopa, suco, sorvete (ok, essa parte é boa) e banana amassada com açúcar e leite em pó. Me sinto fraca, arg. Me alegrei depois que vi meu marido lindoemaraviloso Mike He. Oh gosh, é incrível como ele consegue me animar mesmo quando meu dia está uma merda inigualável. Ele é tão lindo, e... gostoso. E... tem um jeito de andar tão prepotente e arrogante. Oh, gosh! Isso é uma doença, não tem cura. Podem me parar quando quiserem. Mas ele é realmente perfeito. OH, GOSH, CHEGA.



Deleitem-se com meu marido, mas não olhe muito, ele é meu, sabe? Minha inspiração, oh gosh! (preciso parar de falar isso, ok? ok) Vou olhar mais um pouquinho aqui minha galeria de fotos do Mike pra ver se eu esqueço a minha miserável vida. OH GOSH! ♥

28 julho 2010

Caminhos tortuosos.

Eu comecei a te ver nos lugares mais improváveis. Em casa, no meu quarto, depois de, sem querer, mencionar um ou outra expressão que você normalmente diria, embora não soe tão legal quando dita por mim; Na fila do supermercado, depois de comprar um potão de sorvete de flocos, mesmo sabendo que eu não conseguiria tomar nem um quarto dele; Na minha cama, porque o seu cheiro se impregnou nos lençóis e não quer sair de jeito nenhum, mesmo depois de lavado várias e várias vezes; Voltando para casa, já que ninguém pareceu notar que você me deixou porque sempre me perguntam sobre você se referindo àquele menino que sempre vinha me ver; Quando saio de qualquer lugar, porque sempre fico me perguntando se todos serão tão legais como você foi ao me deixar em casa, atravessando a cidade inteira e indo contra a sua direção original só para me ver chegar segura; Naquele cantinho escuro que só nós dois sabemos onde é, porque lá foi a primeira vez que você me olhou nos olhos, me puxou e me beijou de uma maneira única, que ninguém mais sabe fazer, e que eu tento desesperadamente procurar em outra pessoa ou ensinar como se faz; No meu travesseiro, porque sempre lembro da maneira como deitávamos por alguns minutos, sempre abraçadinhos, e de como eu me sentia animada porque nunca tinha feito aquilo com mais ninguém, embora fosse uma das coisas que e mais queria fazer e te dei a honra de ser o meu primeiro; Na barraquinha de cachorro-quente, onde você implicava comigo, puxava meu cabelo e batia nas minhas pernas enquanto me chamava de chata e feia, só para me ver emburrada e enraivecida; Em encontros casuais na rua, sempre tem alguém que faz aquele biquinho igual o seu e me faz sentir uma saudade imensa de fazer comentários irônicos sobre ele; Quando sento no computador ou olho para o telefone, porque me lembra a raiva enorme que eu tenho de você por nunca mais ter me ligado ou puxado conversa, mesmo quando eu estive no hospital e quase perdi a vida, e não teria ligado de perdê-la se pudesse ter te visto novamente uma única vez; No banco da praça, estando eu com outro numa tentativa frustrada de não pensar em você por alguns minutos, posso jurar ter te visto sentado à poucos metros, com uma menina loira, olhando para mim como quem me condena egoisticamente por estar com outra pessoa senão você; Porque foi você que me abandonou, que escolheu não mais ligar, se importar. Que preferiu me tratar com um daqueles objetos que se usa quando tem vontade e se joga fora quando não parece entreter tanto como da primeira vez. Porque é mais fácil, não é? É muito mais fácil ignorar a dor alheia, mesmo que essa dor seja por sua causa, a se envolver, se deixar levar, sofrer um pouco para, no final, ter o merecido final feliz. Caminhos tortuosos nem sempre nos levam a onde queremos, embora pareçam mais difíceis de atravessar e que, por dedução, nos darão muito mais satisfação. O caminho mais fácil nem sempre é o da dor, mas se tiver de ser, que seja então. Mas ainda assim, se nada disso fizer com que você me procure novamente, nem que seja para se desculpar por ter feito meu coração e minhas esperanças sujas e vacilantes em pedaços, posso pedir-lhe algo? Pare de aparecer em todos os lugares que eu vou, porque nenhum deles tem a mesma graça sem que estejamos juntos nele. Sabe, eu comecei a te ver nos lugares mais improváveis...




20 julho 2010

Minha janela secreta.

Hoje eu não quero usar metáforas, palavras bonitas ou frases ambíguas. Quero poder falar sem medo, sem hesitação, ser ter ninguém para quem prestar contas. Estava me sentindo vazia, sem vontade de fazer as coisas, só queria ficar dentro do quarto, debaixo das cobertas, de preferência dormindo, mergulhada em algum lugar onde tudo o que eu quisesse pudesse se tornar realidade sem precisar de uma explicação física e lógica. Me sinto mais segura assim, mais protegida da sensação de imaginar que, se eu passar pela porta e sair, estarei vulnerável a quaisquer maldades e atrocidades do mundo. Prefiro que minha única conexão com a verdade lá fora seja uma janela, de onde eu possa ver tudo e, muitas vezes, não ser vista. De onde eu possa enxergar a realidade, sem estar imersa em sentimentos que me ceguem e me afastem dela. Mas também não quero ser apenas uma casca, um depósito oco de solidão e amargura. Quero poder ver as coisas mais bonita que o mundo pode oferecer, e me convencer de elas subrepujam as más, que mesmo onde há um rastros de dor e sofrimento, há canteiros de flores que o ornamentam. Porque o ódio e o amor são irmãos, convivem lado a lado, e a linha que os separa é tênue e frágil.

27 junho 2010

Uma coisa à parte.

Sei que vou me arrepender de escrever isso, e provavelmente vou acabar lendo e me perguntando o que eu tinha na cabeça para fazê-lo, mas, por hora, não quero pensar nisso. Só quero ficar sozinha e calada, e me banhar em um pouco de silêncio. Não quero ter que pensar em mais nada além de coisas que me deixam tranqüila, segura. Não quero ter que pensar (e voltar a sentir) naquele enorme e pulsante... vazio. Sim, vazio. A vontade que dá de deitar no chão do quarto e ficar ali quietinha, sem ninguém para falar nada sobre qualquer que seja o assunto, onde se pode falar sozinha, bem baixinho, tentando transmitir em palavras (mesmo que para si mesmo) o que se passa na mente confusa. Tentar entender a razão de certas tristezas, dores. Finalmente senti o peso do mundo sobre a minha cabeça, o peso das mágoas, das decepções, das mentiras. É duro perceber que ninguém vai estar lá, que quando eu precisar ninguém vai estar lá por mim. Ninguém vai parar para entender a minha dor, o que me aflinge, porque o máximo que o egoísmo humano permite é perguntar apenas por uma falsa educação. Ninguém vai realmente entender o que eu sinto, ou sequer se interessar em entender. Eu me sinto triste, traída, enganada... sozinha. Parece que ninguém no mundo lembra de mim. Eu me sinto invisível. Não quero apodrecer aqui, não sozinha. Quero gritar, quero que me enxerguem, quero que se importem, quero que... venham me ver. Que ao menos uma vez não seja eu a que vai se mover, que ao menos uma vez eu só tenha que ficar parada e esperar. Quero colo. Preciso de atenção, nem que signifique apenas um cafuné por alguns minutos sem trocar uma palavra sequer. Eu estou com raiva, muita raiva. E triste. Mas, no fim, estou apenas me sentindo sozinha.

09 junho 2010

Memórias.


Eu estou morrendo. Cada célula minha vai morrer, cada pedacinho de mim vai morrer aqui. Não vai haver mais nenhuma parte minha neste mundo, toda a minha existência vai ser varrida e o silêncio reinará. Só restarão as lembranças, as lembranças de tentativas frustradas de me eternizar nesse mundo terreno e tão leviano, onde o que importa é o que você mostra, e não o que realmente pensa e sente. Eu estou morrendo. O mundo não vai deixar de girar, as pessoas de viver e nem o sol de brilhar. O ar continuará o mesmo, aquela torta de chocolate ainda terá o doce aroma de tarde ensolarada e, embora eu custe a aceitar, as pessoas que eu amo também seguirão suas vidas e deixarão para trás todos os fatos que as machucaram. E, lentamente, minha existência vai cair no esquecimento. Todas as minhas lembranças, tudo aquilo que eu fiz, realizei, todas as marcas que eu deixei nesta vida vão sumir, todas elas vão desaparecer como ferida em carne, que pode doer um pouco no começo, mas acaba cicatrizando e sumindo. Eu vou gritar, espernear, me debater, suplicar, mas ninguém vai ouvir. Depois de um tempo, sequer lembrarão que um dia eu existi. Se perguntarão quem era aquela menina meio magrinha, de cabelo colorido, que tinha manias estranhas e era um pouco hiperativa, mas se contentarão apenas em responder a si mesmos “ah, era uma menina aí”.

07 maio 2010

Meu universo.


Quero ser capaz de receber o mesmo amor que eu aprendi a dar, a ter uma segunda chance quando tantas vezes eu dei também, de ter um voto de confiança mesmo quando tudo parecer óbvio. Quero tirar fotos fofas de beijos estalados em seqüência pra guardar na agenda, beber do mesmo copo em um dos canudinhos, fazer caretas toscas só pra guanhar um sorriso. Quero não ter que me importar com nada, me sentir segura e protegida, e não precisar estar em guarda o tempo inteiro. Quero saber que tenho um lugar pra onde retornar, braços onde eu possa ser acalentada e sentir cafuné na cabeça até que eu caia no sono. E que velem esse sono. Quero ouvir de vez em quando o quanto se sentem orgulhosos de mim por eu ser inteligente, e que aprendam a enxergar a beleza por detrás dos conceitos outorgados da modernidade. Quero não ter que me defender sempre sozinha, que aprendam a me contestar da maneira correta e até que me repreendam quando eu estiver errada, porque eu sou leviana o suficiente para não fazer isso por conta própria. Quero não precisar ser sempre a decisão, a que sempre sabe o que quer e a primeira a tomar a iniciativa, porque isso desgasta a esperança que eu ainda tenho nas pessoas. Quero ser capaz de satisfazer plenamente a outra pessoa, que ela se sinta verdadeiramente feliz com a minha presença e fique dando risadinhas e sorrisos bobos quando nos despedirmos. Quero ser inspiração, sorriso, aquele pensamento feliz que nos vêm à mente sempre que o resto do dia já for uma porcaria. Quero conhecer completamente o universo de alguém, e que esse mesmo alguém conheça completamente o meu universo.

29 abril 2010

Mártir.


Não tenho que estar sempre sorrindo, muito menos disposta a ouvir as suas gracinhas. Não tenho obrigação nenhuma de atender às suas expectativas, embora eu me esforce pra ser a melhor pessoa pra você, esmagando minhas dores e mágoas, engolindo-as feito aquela comida que a gente detesta, sob a enorme vontade de vomitar tudo. Não tenho que aceitar o fato de que você preferiu outra pessoa a mim, mas eu o fiz, talvez porque eu não consiga pensar em maneira mais honesta, curta e limpa de te deixar feliz. Eu mesma não sou capaz disso, apenas pensava ser. Diante da sua falta de decoro e consideração às promessas que um dia me fez, eu poderia simplesmente ignorar as minhas e esqueceríamos tudo, mas não sou assim, não faz parte da minha natureza, e mesmo agora, diante dessa situação, eu vou cumprí-las. Porque é preciso honrar o compromisso. Depois de tanto tempo me mantendo em pé, senti um deles vacilar e quase cair. Nesse curto momento de fraqueza, em meio ao enorme esforço que tenho feito para permanecer neste mundo, você simplesmente vai me abandonar? É tão mais fácil ignorar a dor dos outros, não é? É muito mais fácil do que realmente se importar. Minhas mãos sangram enquanto sustentam a sua felicidade. Esse é meu mártir.

18 abril 2010

Chuva.


Lembro de sentir frio e fome. Estava chovendo. Estávamos todos debaixo do toldo daquela banca para nos abrigarmos, mas ainda assim eu sentia o ar gelado tocar e sacudir as minhas entranhas. O violão ajudava, não deixava a monotonia tomar conta do momento. Os garotos tocavam, animados, e eu apenas ouvia. Não que eu estivesse completamente alheia a tudo, até porque o frio fazia questão de lembrar que eu estava no meio da rua às três horas da manhã toda vez que uma brisinha soprava e me arrepiava. Ele tirou a camisa e correu pra debaixo da chuva, correndo por todo o parque. O porquê eu não sabia, mas quando voltou tomou minha mão e me puxou pra fora da proteção do toldo. As gotas de água, grossas e pesadas, em poucos segundos, encharcaram a minha roupa, que se colou ao meu corpo e me provocou ainda mais frio. Ele me puxou pra longe e não soltou a minha mão. Na verdade, ficou me encarando enquanto a apertava. Seus cabelos molhados quase cobriam os olhos, de modo que eu não consegui sequer imaginar o que se passava na cabeça dele. Ficou ali por quase um minuto, sem fazer ou dizer absolutamente nada, e eu desconcertada. O lado positivo? Eu não podia ficar mais molhada do que já estava. Meus dentes trincavam. Mas não precisei esperar muito mais que isso, já que ele interrompeu toda aquela tensão inclinando o rosto na minha direção e encostando suavemente seu nariz sobre o meu. Esfregou-o ali, parecia estar concentrado em sentir o meu cheiro. Em meio ao frio deserto, seus lábios mornos foram a minha chama. Ele girou o rosto para o lado, de modo a encaixar-se perfeitamente ao meu, e depositou a mão sobre a minha cintura. Meus olhos foram lentamente se fechando e eu senti o meu corpo ser tomado por uma sensação estranha, mais como uma ansiedade aliviada. Uma das minhas mãos correu seu peito nu e repousou em sua nuca, cravando as unhas suavemente sobre sua carne. Meus lábios entreabriram-se sutilmente, à medida que sua língua quente os adentrava sem cerimônias e brincava de entrelaçar com a minha. Senti sua mão apertar forte no meu quadril. Minha mão livre subiu pelas suas costas e também repousou ali, firme, enquanto eu puxava a sua carne com as unhas. A dele, por sua vez, chegou à minha nuca e puxou os meus cabelos para baixo com certa força, o que fez com que meu rosto se erguesse por conseqüência. A água da chuva sobre nosso cabelos e escorria por nossa face até chegar ao encontro dos nossos lábios, adentrando pelas frestas e participando da mistura quente que havia ali dentro. Minha mão que estava na nuca dele subiu até a metade de sua cabeça, quase sem cabelo, e puxei ali com as unhas também. Eu sabia exatamente o que o fazia perder o controle, embora eu achasse piamente que tudo aquilo só estava acontecendo justamente porque o controle dele tinha sido abalado. Quando nos separamos eu estava tremendo de frio, meus braços, minhas pernas, meus dentes. Ele não disse nada, apenas me tomou pela mão e voltou pra debaixo do toldo. Todos pareciam perplexos com a cena que acabaram de presenciar, talvez por sabiam o quanto ela relutava em acontecer. Ele remexeu na sua bolsa e apanhou uma camisa preta, estendendo na minha direção sem me olhar. Demorei a aceitar, argumentei que ele sentiria frio e que precisaria dela pra voltar pra casa. Ele nem me respondeu, apenas ergueu a peça e enfiou pela minha cabeça, ajudando-me a encaixar os braços nas laterais. O que será que estava acontecendo ali? Me puxou para sentarmos no chão e tomou ambas as minhas mãos entre as suas, esfregando-as uma contra a outra, e depois colocando-as em sua face. Estavam quentes, sim. Não é verdade que a chuva leva embora todas as frustrações?

09 abril 2010

Confusão.


A única certeza que eu tenho é de que não tenho mais certeza de nada, é o que eu posso garantir. Achei que fosse muito mais fácil ignorar o que realmente se sente e seguir o que os outros te propõem, respostas fáceis e entregues de mão beijada. Mas é uma tortura saber, mesmo que lá no fundo, e ter convicção de algo, enquanto todos ao seu redor insistem ser idiotisse e insensatez. Parece que o estômago embrulha e, no fim, você acaba ou teimando e fazendo o que o coração manda ou fica louco de tanta pressão. Então não me façam escolher, porque será ele, sempre ele.

08 fevereiro 2010

A sua dor é a minha dor.


Eu andei, e depois corri. Corri até quase não ter mais fôlego, até quase não ser sustentada pelas minhas próprias pernas, logo elas, que me carregaram a vida toda sem reclamar (muito). Eu não sabia para onde estava indo, apenas corria em linha reta pela avenida. As luzes, os carros, o barulho, tudo isso penetrava em minha mente tão facilmente como se ela não passasse de uma peneira, me poupando de pouca coisa. Os meus olhos ardiam e na minha garganta parecia ter um nó, daqueles cegos, que eu sentia que não desataria tão fácil. Ele subia e descia, roçando nas paredes da minha traquéia e ferindo. Minha saliva tinha sumido, eu mal podia sentir o gosto da pasta de dentes que eu acabara de usar. Andava rápido, e foi só depois que desatei a correr, desejando desesperadamente encontrar alguém conhecido. Certamente, se parasse de correr desmaiaria, então era bom continuar, pelo menos até poder parar em um local seguro. Meus bolsos pulavam e de dentro deles vinha um estalido metálico, como se vários penduricalhos estivessem se chocando. No desespero, eu havia enfiado algumas moedas ali caso precisasse pegar um ônibus, mesmo sem ter qualquer destino em mente. Quer dizer, a menos que fosse um lugar completamente desconhecido e distante onde eu pudesse ficar sem ser incomodada. Onde ninguém pudesse me encontrar e me censurar pelos meus pensamentos loucos, que repetiam aquelas palavras como uma ferida que ainda estava aberta. E era isso, havia uma ferida em meu coração. Apertei o botão do 205 e esperei. Esperei, e esperei mais. Ninguém veio. Suspirei, muito cansada e me pus a refazer todo o trajeto até em casa, com as mesmas luzes, carros e barulho. Desta vez eu poderia prestar mais atenção neles. A noite estava quente, mas não como de costume, estava abafado, vi quando algumas nuvens negras se formaram pela manhã. Eu deveria ter percebido os sinais. Minhas mãos estavam geladas, eu estava suando frio. Sentia meus dedos formigarem e ficarem tão pálidos que até poderia contar as veias. Comecei a correr novamente. Eu corria como se desejasse que a dor do meu corpo fosse maior que a dor do meu coração, como se quisesse ficar tão exausta que nem fosse capaz de sentir medo, angústia ou aquele sentimento de inferioridade. Passei pela praça e foi lá que eu me sentei, na grama gelada, e fiquei por horas. Meu corpo todo latejava, meus pés e olhos ardiam e meu peito inflava e desinflava com uma velocidade e intensidade quase nunca vistas. Por alguns momentos, me faltou o ar e eu achei que fosse morrer. E pelos instantes seguintes eu desejei isso. Desejava morrer porque sentia como se minha pele estivesse sendo rasgada a sangue frio, e que alguém arrancasse o meu coração. Até tive a impressão de vê-lo pulsar, bem ao lado, ali no cantinho. Quando cheguei em casa, tive o impulso de tomar todos os comprimidos que vi pela frente, desde remédios para dor de cabeça até aqueles de tarja preta, embora eu não conseguisse distingui-los depois de tê-los misturado. Engoli tudo de uma vez e sentei no chão. Foi quando eu acordei aqui, e é só disso que eu me lembro.